domingo, 21 de dezembro de 2008

Deus chegou mais perto

Tudo aconteceu num momento, um momento dos mais notáveis. Deus tornou- se homem. Enquanto as criaturas da terra andavam descuidadas, a Divindade chegou. Os céus se abriram e colocaram seu bem mais precioso num útero humano. O onipotente, em um instante, se tornou frágil. O que fora espírito se tornou palpável. Ele que era maior que o universo veio a ser um embrião.



E aquele que sustém o mundo com uma palavra decidiu depender de uma jovenzinha para sua nutrição. Deus veio como um feto. O Criador da vida, sendo criado. Deus ganhou sobrancelhas, cotovelos, dois rins e um fígado. Ele se esticou contra as paredes, e flutuou no líquido amniótico da mãe.



DEUS SE APROXIMOU.

NÃO FOMOS NÓS QUEM NOS APROXIMAMOS DELE.

ELE SE APROXIMOU DE CADA UM DE NÓS.

ELE SE FEZ UM DE NÓS.

As mãos que o sustentaram pela primeira vez eram calosas e sujas, mal cuidadas. Nenhuma seda ou marfim. Nenhuma festa ou pompa, apenas uma estrebaria. Se não fosse pelos pastores, não teria havido recepção. Os anjos olhavam Maria trocando as fraldas do Deus bebê. O universo observava maravilhado enquanto o Todo-Poderoso aprendia a andar. Crianças brincavam com ele na rua. Jesus talvez tinha espinhas, ou uma bela voz, ou quem sabe uma garota da rua se interessou por ele. É possível que seus joelhos fossem ossudos. Mas uma coisa é certa: embora completamente divino, Ele era completamente humano.



Pensar em Jesus desse jeito parece até algo irreverente, não é? Não é algo que gostamos de fazer ou imaginar, sentimo-nos pouco confortáveis. É muito mais fácil manter a humanidade fora da encarnação. Limpar a sujeira em volta do estábulo. Limpar o suor dos seus olhos. Pretender que ele nunca roncou, limpou o nariz ou bateu com o martelo no dedo. É mais fácil aceitá-lo deste modo.



Há alguma coisa sobre mantê-lo divino que o conserva distante, acondicionado, previsível. Mas não faça isso. Permita que ele seja humano como pretendeu ser. Deixe que ele entre na sujeira deste mundo e o transforme. Pois só se o deixarmos entrar é que ele nos tirará dele.



O estábulo cheira como todos os outros. O mau cheiro provocado pela urina e excremento das ovelhas pairam forte no ar. O chão é duro, o feno escasso. Teias de aranha pendem do teto e um ratinho atravessa correndo o chão sujo. Não podia haver um lugar menos adequado para um nascimento.



De um lado se encontra um grupo de pastores. Eles estão sentados silenciosamente no solo, talvez perplexos, talvez reverentes. Junto à mãe se assenta o pai cansado. Maria está bem desperta. Ela não pode tirar os olhos dele. Maria sabe que está carregando Deus-Filho nos braços. Ela relembra as palavras do anjo que disse: "E o seu nome será Jesus. O seu reinado não terá fim."



A majestade nasce em meio ao mundanismo. Santidade misturada à imundície do excremento das ovelhas. A divindade entrando no mundo no chão de um estábulo, através do útero de uma adolescente e na presença de um carpinteiro.



Ela toca a face do Deus-menino. Maria, tu sabias que o bebê que carregas nos braços seria o Salvador do mundo, sabias que as mãos que acaricia e beija, tocaria nos leprosos e os curaria, que as mãos que seguras, visão daria aos cegos? Sabias que o ser que deste à luz, seria a tua luz?



Interessante... Num momento Deus se fez homem. Num instante... Um momento eterno.



"O Verbo se fez carne e habitou entre nós." Veja bem, ao tornar-se homem, Deus possibilitou ao homem ver a Deus. Quando Jesus foi para seu lar, ele nos deixou a porta aberta atrás. Como resultado "transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos".



Deus não precisa de muito tempo para mudar uma história, apenas de um momento. Da próxima vez que alguém disser "um momento", lembre-se que é todo este tempo que vai ser necessário para Deus mudar o mundo.



Jesus quer nascer na história de sua vida, e num momento transformar você em um novo ser.



FELIZ NATAL!

SÃO OS VOTOS DE

Pr. LOURIMAR E FLIA


sábado, 29 de novembro de 2008

Um bom planejamento em três passos

Havia um tempo em que as pessoas falavam de planejamentos e as demais se arrepiavam com medo do que viria pela frente. A imagem sempre presente era de uma oficina longa, com duração de uma ou duas semanas, que produzia um documento de 100 páginas para ser jogado no lixo.

Felizmente esse tempo está acabando e, aos poucos, as pessoas têm aprendido que o planejamento tem que ser muito mais fácil do que a execução, senão não compensa planejar.

Mas o planejamento também precisa permitir que as pessoas saibam se estão conseguindo andar no caminho ou não.

Existem diversas maneiras de planejar, pode ter certeza. Tantas que cada pessoa escolhe uma e vira uma confusão, porque as linguagens e os ritmos do planejamento são diferentes.

Veremos agora como é possível fazer um planejamento rápido e eficaz para o trabalho de uma igreja. E isso ocorre em três etapas muito simples.

1. Descobrindo a razão de existir da igreja.

O primeiro passo é identificar, ou até mesmo decidir, qual a razão de existir da igreja. Procure-se evitar as coisas genéricas demais e as coisas que não serão percebidas pelas pessoas.

A razão de ser tem que ser compreendida por todos e deve fazer parte de tudo o que a igreja planeja.

Aí vão algumas sugestões, uma igreja pode servir para:

- Pregar o evangelho a uma determinada comunidade (evangelismo)
- Cooperar com a obra missionária (missões)
- Contribuir para a melhoria de uma determinada comunidade (ação social)
- Disseminar valores cristãos à uma parcela da sociedade (educação)
- Contribuir para o desenvolvimento de uma populacão (ação social com viés econômico)

O fato é que as igrejas tentam fazer tudo isso ao mesmo tempo, mas não definem o que, de fato, é a sua vocação. Ela deve ter bem claro que possui apenas um chamado e os demais devem se encaixar nesse propósito maior.

Tentar fazer tudo ao mesmo tempo é caminhar para o fracasso.

Definida a razão de ser da igreja é hora de pensar em outra coisa: o que a igreja deve fazer nos próximos x anos para cumprir a sua vocação?

Essa também é uma definição simples que deve estar contida em uma única frase para que todos compreendam e abracem.

2. Definindo as áreas críticas e os objetivos

O segundo passo do planejamento é definir quais as principais áreas que devem ser planejadas, quais os temas que deverão ser adotados e quais os objetivos dentro desses temas para os próximos anos. Devem ser elencados 3 a 5 áreas de atuação, não mais que isso. Para poder atingir o objetivo maior descrito no passo 1.

Seguem algumas sugestões:

a. Aprendizagem
b. Evangelismo e Missões
c. Integração
d. Finanças e patrimônio
e. Preparação
f. Discipulado
g. Comunhão
h. Ação social
i. _____________

Depois de escolhidas as áreas de abrangência do planejamento, agora é a vez de traçar objetivos para cada área, vejamos alguns exemplos:

Área: Aprendizagem

Objetivos:
- Capacitar lideranças
- Capacitar professores da EBD
- Capacitar cada crente convertido nos últimos 2 anos para que não se sintam mais novos convertidos.
- Aperfeiçoar a educação infantil
- Transformar jovens e adolescentes em líderes de verdade
...

Mais uma vez é interessante impor limites, ninguém pode fazer tudo ao mesmo tempo.

Como saber quais as áreas e quais os objetivos?

É necessário fazer um levantamento de problemas e suas causas, para poder traçar os obejtivos corretos.


3. Planejando as ações

Uma vez que a igreja tenha identificado sua razão de ser e o caminho principal a seguir, depois de definir as áreas de planejamento e os objetivos dentro de cada área, é a vez de planejar as ações.

As ações devem obdecer alguns critérios:

a. Devem atender a um ou mais objetivos traçados.
b. Devem conter responsáveis
c. Devem ter metas estabelecidas para que se possa medir se deram resultado ou não.
d. Devem ser organizadas junto com as demais, para evitar conflitos.

Um departamento da igreja só trata de ações particulares depois que o planejamento geral tenha sido criado. Se a igreja puder planejar tudo junto, melhor ainda.

Uma meta deve ser:

Mensurável: deve poder ser medida em indicadores. Ex. Número de convidados/presentes
Específica: aplicar-se à ação proposta
Alcancável: não são criadas metas irreais. Ex. Todo o bairro convertido em 1 ano
Relevante: As metas dão um certo trabalho para serem medidas, por isso só se mede o que é importante.

Vejamos um exemplo de resultado de planejamento. Jubanorte 2008.




Esse é o mapa estratégico que foi planejado para a Jubanorte no ano de 2008. A esse mapa seguiu-se uma série de planos. Boa parte foi realizada, alguns não puderam ser cumpridos, mas todos da diretoria sabem dizer o que deu certo e o que não deu certo na organização no último ano.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Afina, quem somos?

Mensagem: 23-11-2008
Igreja Batista Vitória Régia

Objetivo: demonstrar através da leitura da palavra que somos seres espirituais revestidos de um corpo carnal e que, por causa disso, estamos fora do curso natural de nossa vida quando agimos de maneira diferente.


Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
(Efésios 2 : 10)

Fomos feitos por Deus, criados em Jesus Cristo para as boas obras:
Essa é a causa, quais as conseqüências disso?

1º. Somos salvos pela graça, mediante a fé
2º. Não somos salvos por obras

Somos seres espirituais, criado à imagem e semelhança de Deus.

26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Gn 1:26-27:


Qual a imagem de Deus?
Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. (João 4 : 24)

Então o que é a salvação?

Sermos salvos significa voltarmos para o nosso estado natural, espírito, e para nosso lugar de origem, Deus.
Acontece que muitos de nós se agradam tanto deste mundo que não desejam voltar para Deus, mesmo sabendo que voltarão a ser espírito.

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; (Romanos 3 : 23)

Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. (João 1 : 11)

Mas nossa alma não consegue conviver com isso, nós precisamos de Deus, precisamos nos sentir amados por ele, temos saudades de Deus e, bem lá no fundo, não conseguimos viver sem Ele.

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? (Salmos 42 : 2)

Ó DEUS, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água; (Salmos 63 : 1)


Então salmista clamou a Deus, me ensina como voltar para ti! Me ensina o caminho de volta!

Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; une o meu coração ao temor do teu nome. (Salmos 86 : 11)

Então Deus providenciou um caminho para que nosso espírito retorne para Ele, e um guia para nós não nos perdermos nessa jornada.

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14 : 6)

Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. (João 16 : 13)

Então, o que precisamos saber ao final é que retornaremos ao Pai, em espírito, mas precisamos encontrar o caminho da verdade para não nos perdermos:

Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço,
E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.
Ec 12:6-7

Então, volte para junto de Deus, que é o seu lugar!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Imagine que o céu não existe

Vou postar esse texto aqui, que foi passado pelo nosso professor querrido, numa aula da EBD já há algum tempo. Achei interessante o texto e guardei ele aq no PC, e aqui tem ficado até que hoje encontrei o caminho pra ele: o nosso blog.

“Imagine que o céu não existe

Os antropólogos relatam, não sem certo embaraço, que todas as sociedades humanas já descobertas apresentam uma crença na vida após a morte. Os especialistas em religião - em especial aqueles que atendem pelo nome pomposo de ‘fenomenologistas’- agarram-se a esse fato,porque vêem na persistência teimosa desse crença um ‘rumor de transcendência’,um vestígio da nossa natureza imortal.

Ler sobre a crença quase universal na existência de uma vida após esta aqui levou meus pensamentos em uma direção totalmente oposta. Passei a imaginar uma sociedade que não acreditasse na vida após a morte. Como a negação da imortalidade afetaria a vida cotidiana?

Deixei minha mente correr solta e cheguei ás conclusões que apresento a seguir. Para dar um rótulo conveniente (e com meu pedido de desculpas a Samuel Butler, autor de Erehwon), darei à minha sociedade mítica o nome de Acirema.

1. Os aciremos valorizam a juventude acima de qualquer outra coisa. Já que para eles não existe nada além da vida na terra, a juventude representa esperança. Não tem um futuro melhor pelo qual ansiar. Como resultado, preservar a ilusão da juventude é bem aceito. O esporte é uma obsessão nacional. As capas de revistas apresentam rostos sem rugas e corpos lindos. Os livros e fitas de vídeo apresentam mulheres atraentes,de aproximadamente 40 anos,demonstrando exercícios que, seguidos fielmente, farão com que a pessoa pareça dez anos mais jovem.

2. Naturalmente o povo de Acirema não valoriza os idosos, porque eles se constituem numa lembrança desagradável do final da vida. Ao contrário dos jovens, eles jamais podem representar esperança. Assim,a indústria da saúde de Acirema promove cremes para pele, solução para careca, cirurgias plásticas e muitos outros meios elaborados para mascarar os efeitos do envelhecimento, o prelúdio da morte. Em regiões especialmente insensíveis,os aciremos chegam a confinar os idosos em abrigos, isolando-os da população em geral.

3. Em Acirema valoriza-se mais a imagem do que a substância. Práticas como dietas, exercícios e construção do corpo, por exemplo, atingiram o status de ritos pagãos de adoração. Um corpo bem construído demonstra visivelmente as conquistas neste mundo,enquanto que qualidades interiores nebulosas - compaixão, abnegação e humildade - merecem poucos elogios. Como efeito colateral deprimente, uma pessoa com deficiências, ou desfigurada, tem grande dificuldade para conseguir competir, apesar das qualidades dos seu caráter.

4. A religião de Acirema focaliza exclusivamente como perambular aqui e agora, porque não existe qualquer sistema de recompensa após a morte. Os que ainda acreditam em uma deidade buscam a aprovação de deus em termos de boa saúde e prosperidade na terra. Houve um tempo em que os pastores perseguiam o que chamavam de evangelismo, mas hoje devotam a maior parte de sua energia a aumentar o bem-estar dos seus concidadãos.

5. Recentemente, os crimes tornaram-se mais violentos e bizarros. Em outras cidades primitivas os cidadãos crescem com um vago temor de um julgamento eterno pendendo sobre eles, mas os aciremos não impõem esses limites a seu comportamento maligno.

6.Gastam bilhões de dólares para manter corpos idosos presos a sistemas de prolongamento da vida, enquanto que, ao mesmo tempo, permitem e até encorajam o aborto. Essa atitude não é tão paradoxal como parece, porque os aciremos acreditam que a vida humana começa no nascimento e termina na morte.

7.Até bem recentemente os psicólogos de Acirema precisavam tratar das reações atávicas de seus pacientes: medo e raiva frente à morte. Novas técnicas, porém, trouxeram promessas na superação desses instintos primitvos. Hoje as pessoas aprendem a ver a “aceitação” como a reação mais madura ao estado perfeitamente natural da morte. OS estudiosos obtiveram sucesso na desvalorização de atitudes ultrapassadas sobre morrer de maneira “nobre”. Para os aciremos a morte ideal acontece em paz durante o sono.

8. Os cientistas de Acirema ainda trabalham para eliminar o problema da morte. Enquanto isso a maior parte das mortes acontece na presença de profissionais treinados, em uma área isolada. Para diminuir choque,a palavra “morte”, tão deselegante, foi substituída por eufemismo com “passamento” e “descanso”. E todas as cerimônias que acompanham a morte demonstram sua separação da vida. Os corpos são preservados quimicamente e colocados em recipientes herméticos, a prova de vazamentos.


Só de pensar em uma sociedade assim sinto calafrios. Certamente sou feliz de viver no meu bom e velho país, onde, de acordo com as pesquisas do instituto Gallup, a grande maioria da população acredita na vida após a morte.

YANCEY,Philip.Perguntas que precisam de respostas.Rio de janeiro: Textus.2001”



Isso não parece familiar??

domingo, 16 de novembro de 2008

Fala de uma vez

Fale de Cristo de verdade,
Fale com ênfase, fale com gosto,
Fale prá valer, com força!
Grite se for necessário.

Fale do quanto ele amou,
De tudo que fez e passou
Para nos trazer hoje aqui.

Fale da esperança de vida eterna,
Cante para falar commais doçura.

Fale de todos que morreram torturados,
Dos que defenderam suas posições
Por terem certeza da vitória.

Fale com senso de urgência,
Fale com a voz e com a vida,
Fale dos fatos dessa cruz.

Fale com suas atitudes,
Fale com alegria e com virtudes,
Fale do amor do meu Jesus.

Moura

sábado, 8 de novembro de 2008

Crise de integridade

No final da década de 80, início de 90, o mundo ficou abismado com um escândalo de prostituição e mentiras que envolvia um dos principais pregadores evangélicos da televisão orte Americana. (Desculpem minhas informações vagas, minha cabeça não guarda muito bem os fatos passados).

O caso envolvia uma situação muito comum nas famílias, mas que pegou os crentes de surpresa, por ainda acreditarem ingenuamente que alguém pode estar isento dos problemas deste mundo.

O pastor em questão costumava marcar encontros com prostitutas, e isso não se faz em público... Aos poucos as coisas foram aparecendo, atrelada à prostituição apareceram outros problemas que estavam ligados ao caso.

Muita gente se decepcionou, fugiu da igreja, deixou-se quedar pela tristeza e pelo sabor amargo da derrota alheia.

Um dos grandes escritores americanos, Warren Wiersby (esse eu lembro o nome) escreveu um livro chamado Crise de Integridade (esse eu também lembro), onde discutia a questão da integridade na vida cristã. A necessidade de sermos inteiros de Jesus.

Desde então temos visto casos de grandes líderes que se envolveram em romances extra-conjugais, decepcionando seus seguidores (que muitas vezes os tinham como mais importantes do que o próprio Jesus). Alguns conseguiram voltar à cena, foram perdoados por suas esposas e por suas igrejas. Mas o ministério não retorna da mesma forma, as cicatrizes permaneceram e as feridas reabrem vez por outra.

Hoje tenho visto muitos colegas de trabalho interromperem comentários sobre o mau caráter de terceiros perguntando "ele é evangélico, não é?" e a resposta comumente ten sido "é, casado e tudo!". Depois disso ainda seguem comentários intensos sobre como é comum que os crentes sejam "assim".

No tempo do escândalo eu era um novo convertido. Hoje tenho 22 anos na fé. Ainda não consigo ver uma resposta satisfatória da igreja sobre o assunto da integridade. Ainda não tenho visto uma discussão que não penda para a arrogãncia, ou para o modismo, ou para a dogmatização, etc.

As pessoas são exigidas em sua integridade, mas a igreja não tem provido um acompanhamento eficaz, não tem discutido um método eficiente para que um irmão conduza o outro em sua vida cristã com tanta força que o escuro do quarto não seja um atrativo para o pecado. Ainda não tenho visto uma resposta positiva o suficiente para envolver os cristãos no compromisso com a santidade e a pureza, com uma vida cristã saudável e íntegra.

Os que lerem esse artigo entendam como uma tentativa de discutir abertamente algo que está em falta no nosso mundo cristão. Algo que tem sido pouco discutido por autores cristãos em seus livros e que tem sido menos falado ainda...

O certo é que este mundo nos envolve e temos uma resposta na Palavra que muitas vezes ignoramos. Jesus nos deu uma ordenança muito clara, mais clara do que o batismo e a ceia. Ele lavou os pés de seus discípulos. Cuidou de purificar aquilo que havia-se contaminado. E nos mandou fazer o mesmo.

Talvez nossos treinamentos, nossos discipulados, nossos momentos de confraterização devem começar deste ponto: lavar os pés uns dos outros. Para que possamos conquistar um espaço melhor neste mundo, um espaço onde o escândalo não seja provocado por nossa incapacidade de nos admitirmos pecadores, ou por nossa incapacidade de nos desligarmos do chamado deste mundo.

O certo é que o mundo mudou bastante nos últimos 20 anos. O contexto é outro, as manias são outras, a violência contra nossos prncípios e os valores familiares está cada dia mais forte. Por isso precisamos buscar na Palavra as armas mais potentes, o alimento mais sólido, a convivência mais profunda com Jesus e o amor mais íntegro e puro. Só assim teremos um começo e poderemos demonstrar ao mundo que Jesus Cristo faz muita diferença.

RPM

sábado, 25 de outubro de 2008

Provavelmente

Em uma campanha comercial, os ônibus de Londres passaram a circular com cartazes provocantes: “Provavelmente não existe Deus. Agora pare de se preocupar e desfrute a vida”.
Imagino um cidadão londrino, ou alguém vindo de outro país, o que é muito comum nas ruas da famosa capital, entrando no ônibus para atravessar a cidade. Distraído, lê tudo o que aparece pela frente. Então vê aquele cartaz recém colocado. Lê. Não entende. Lê de novo. Alguma coisa não está certa, pensa, enquanto o ônibus continua a correr pelo lado esquerdo da rua, habilidade típica dos ingleses.
São quatro erros, caro passageiro. Um deles é negar a existência de Deus. Muitos já se esforçaram para isso. Mas ao tirarem Deus, deixam o universo inteiro sem respostas. Essas pessoas acham que podem substituir Deus por uma grande força ou uma extraordinária liberação de energia, A tentativa consegue avançar um pouco no campo da matéria, mas logo esbarra na ausência de explicação sobre a origem da vida. Mais ainda, da vida moral, a vida com razão de ser.
Mais um erro é fazer das preocupações algo descartável, que pode ser deixado de lado com uma simples decisão da vontade. Não funciona. A dor que estava ali continua, a dívida lá adiante nos espera sentada, o relacionamento quebrado só renova suas medonhas caretas.
O outro erro vem a reboque deste. Com a dor, a dívida e o desacerto não dá para desfrutar a vida em toda a sua inteireza. Nem mesmo na bela Londres, cenário de desconfiança, atentados e dores.
Felizmente, estes erros são corrigíveis. Quando reconhecemos Deus e deixamos Cristo dirigir nossa vida, vencemos a ansiedade e passamos a ter qualidade de vida (MT 11.28; JO 10.10; FP 4.6 e outros).
A novidade está no primeiro erro, o que abre a frase: “provavelmente”. É pura ironia, uma tática da comunicação, mas acaba denunciando a fragilidade da tese. Não assume. Deixa o julgamento para quem lê. Se der certo, fica com as honras. Se falhar, azar de quem acreditou. Era só uma propaganda comercial, mesmo.

Ivo Seitz

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Silêncio covarde

"As visões dos seus profetas foram falsas e enganosas. Se eles
tivessem condenado abertamente os seus pecados, tudo teria sido diferente e melhor para você. O que esses profetas fizeram foi enganá-la com mentiras" (Lamentações de Jeremias, 2. 14).
Alguns momentos de silêncio na Bíblia quando deveria soar um grito de defesa são bem conhecidos. Um deles é o chefe dos copeiros de Faraó, companheiro de prisão de José, o filho de Jacó. Ao ser inocentado e liberto, trata de cuidar da sua vida. Dois anos mais tarde cai em si: "Chegou a hora de confessar um erro que cometi", e narra ao rei como José interpretava sonhos com sabedoria vinda de Deus (Gênesis 41.9).

Outro momento é quando Elias desafia todos os israelitas e os 850 profetas de Baal e de Aserá: "Até quando vocês vão ficar em dúvida sobre o que vão fazer? Se o Senhor é Deus, adorem o Senhor, mas, se Baal é Deus, adorem Baal! Porém o povo não respondeu nada." É aí que Elias clama a Deus, que responde prontamente. O povo resolve obedecer a Deus, e os profetas idólatras são mortos, sem escape (1 Reis 18. 19-40).

Esperava-se do povo que lembrasse da história, quando o jovem Davi ouviu Golias zombar de Israel. Na ocasião, os soldados "ficaram apavorados" e "fugiram apavorados" (1 Samuel 17. 11 e 24), até que Davi respondeu à afronta, vencendo em nome do Senhor (1 SM 17. 51).

Silêncio não significa, necessariamente, deixar de falar. Pilatos falou, mas a atitude de lavar as mãos para dizer-se inocente tornou-se símbolo de alguém que deixa de cumprir o seu dever (Mateus 27.24).

Uma cena do livro de Atos é também emblemática: no apedrejamento de Estevão, um jovem toma conta das capas dos homens enfurecidos. Nada diz. Sabemos que "consentia na sua morte" (Atos 7. 58-60). É a primeira menção a Saulo, que depois será chamado Paulo, já pronto a dar a vida pelo Senhor (AT 20.24). O mesmo Paulo que instruirá seu discípulo Timóteo a pregar a mensagem "a tempo e fora de tempo" (2 TM 4.2).

Façamos assim, como também disseram Pedro e João, "não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido" (Atos 4.20). O mundo será outro, quando rompermos o silêncio.

Ivo Augusto Seitz

terça-feira, 7 de outubro de 2008

VAMOS DAR UM JEITO

“Vamos dar um jeito de nos livrarmos de Jeremias! Pois sempre haverá sacerdotes para nos ensinar, sábios para nos dar conselhos e profetas para anunciar a mensagem de Deus. Vamos fazer acusações contra ele e deixar de ouvir o que ele diz”. (Jeremias 18.18)


Em pormenores, a Bíblia registra o diálogo entre Deus e o profeta. Jeremias deve descer até a casa do oleiro, onde aprenderá como Deus age: “Vocês estão nas minhas mãos assim como o barro está nas mãos do oleiro” (v. 6). A ilustração mostra que Deus dirige o destino das nações, arrancando ou fundando novos reinos (versos 7-9).

O Senhor antecipa que o povo rejeitará a mensagem, prevenindo Jeremias até da desculpa que será usada: “Eles vão responder: ‘Não adianta; nós vamos seguir os nossos planos. Todos nós vamos agir de acordo com a teimosia e a maldade do nosso coração!” (v.12).

Mesmo sendo difícil imaginar que o povo fale com tanta franqueza diante de Deus, é claro que ele conhece o coração humano. Por isso não há como negar que, com essas ou outras palavras, o sentimento é mesmo de teimosia e maldade.

O texto salta então para a reação do povo ao ouvir a voz de Deus. Não há arrependimento. Ao contrário, há arrogância: “Vamos dar um jeito de nos livrarmos de Jeremias” (v.18). Raciocinavam que sempre haveria um sacerdote, um sábio ou outro profeta para trazer mensagem mais amena. Nem seria difícil tirar Jeremias do caminho. Apelariam para a difamação e o abandono.

Nossa sociedade vive a cultura do arranjo. O conhecido jeitinho brasileiro ganha corpo a cada nova impunidade, ou artifício para burlar a lei. Na semana finda uma farmácia de Porto Alegre anunciava um remédio para anular o efeito do álcool no teste do etilômetro, o popular bafômetro. Não funcionava. Mas, se fosse verdadeiro, não seria uma arma perigosa contra a própria sociedade?

Deixemos de buscar atalhos na vida espiritual. Desde a antiguidade vencem os que obedecem a Deus.

Ivo Augusto Seitz

domingo, 14 de setembro de 2008

A morte da morte

“O Senhor Deus acabará para sempre com a morte. Ele enxugará as lágrimas dos olhos de todos e fará desaparecer do mundo inteiro a vergonha que o seu povo está passando. O Senhor falou. Naquele dia, todos dirão: - Ele é o nosso Deus. Nós pusemos a nossa esperança nele, e ele nos salvou. Ele é o Senhor, e nós confiamos nele. Vamos cantar e nos alegrar, porque ele nos socorreu”. (Isaías 25.8-9).

Impressiona ver a maneira como Deus fala conosco. Se considerarmos a distância que há entre Deus infinito e nossas pobres limitações, chega a parecer impossível. Mas ele está presente, conversa com cada um, ouve nossas dúvidas, e calmamente propõe a vitória.

Só mesmo o Senhor Todo-Poderoso ousa falar deste jeito, sem medo do ridículo. Quem mais poderia anunciar o alívio das nossas lágrimas – as derramadas e aquelas guardadas, todas elas! – além da restituição da dignidade ao mais desprezado dos seres humanos? Quem pode enfrentar a morte inflexível, decretando o seu fim?

É difícil manter a esperança. Por nós mesmos, há muito teríamos desistido. Cada ataque à nossa paz, cada expectativa não alcançada, cada decisão adiada, cada dor amarga são tropeços que nos empurram barranco abaixo, desnorteados e sozinhos.

A menos que ouçamos o que Deus diz para nós. Sua Palavra assegura resultados eternos. Em uma dessas mensagens, o profeta Isaías registra o dia em que todos reconheceremos Deus como o nosso Deus, o único digno da nossa fé, o único capaz de nos salvar.
Esta é nossa primeira responsabilidade diante da promessa tão magnífica: crer que o Senhor está perto e nos atende. Então, confiar nossa vida às suas mãos. Quaisquer que sejam os problemas, sabemos que Deus está muito acima dos impedimentos tão comuns a todos nós.

Só assim experimentaremos uma mudança completa. No lugar de choro, cantaremos de alegria. No lugar de abandono, receberemos atenção instantânea do Criador que nos ama, dirige e sustenta.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

“ESTE É UM LUGAR DE PORTAS ABERTAS”

“ESTE É UM LUGAR DE PORTAS ABERTAS”
“Porque uma porta grande e oportuna para o trabalho se me abriu; e há muitos adversários”. I Coríntios 16:9
Quando inicia sua segunda viagem missionária juntamente com Priscila e seu marido Áquila, o apostolo Paulo ao passar por Éfeso, (Capital da PROVÍNCIA romana da ÁSIA, famosa por seu templo de DIANA. Era um grande centro comercial) permanece alguns dias nesta cidade, seguindo viagem para Jerusalém, prometendo voltar.
“E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos e dali navegou para a Síria e, com ele, Priscila e Áquila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto. E chegou a Éfeso e deixou-os ali; mas ele, entrando na sinagoga, disputava com os judeus. E, rogando-lhe eles que ficasse por mais algum tempo, não conveio nisso. (At.18:18-20).

Voltando na sua terceira viagem missionária o apostolo Paulo deixa a cidade de Corinto e segue para a Ásia ficando em Éfeso.
“E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos”. (At.19:1).

Agora sentindo que é a vontade de Deus, Paulo inicia seu ministério missionário na cidade de Éfeso.

“Durante três meses, Paulo freqüentou a sinagoga, onde falava ousadamente, dissertando e persuadindo com respeito ao reino de Deus. Visto que alguns deles se mostravam empedernidos e descrentes, falando mal do Caminho diante da multidão, Paulo, apartando-se deles, separou os discípulos, passando a discorrer diariamente na escola de Tirano. Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos”. (At.19:8-10).

Permanecendo por três anos naquele lugar.

“Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um”. (At.20:31).

“Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo intento e para toda obra”. Eclesiastes 3:17.

Iniciando nosso ministério na Igreja Batista Vitoria Regia, Deus colocou em meu coração o tema: “ESTE É UM LUGAR DE PORTAS ABERTAS”. O tema fala de PORTAS ABERTAS para o mundo espiritual e não o material. Ficar com as dependências do templo com todas as portas abertas, com certeza teria que deixar sempre um irmão de plantão durante este período, se assim não fizermos corremos o risco de ficar sem cadeiras; som; lâmpadas; etc.

ESTE É UM LUGAR ONDE DEUS TEM ABERTO PORTAS QUE NINGUÉM PODERÁ FECHAR.
Deus não se importa com o tamanho físico do que temos, mas com a disposição espiritual com que nos entregamos para a Sua obra.

“Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome”. (Ap. 3:8).

Temos muitas vezes condicionado Deus dentro do nosso “miserável” modo de ver e sentir todas as coisas sentimos o chamado de Deus visualizamos a necessidade para qual Deus tem nos chamado, mas não temos procurado agir de conformidade com a instrução que Deus nos dá através da Sua Palavra a Bíblia Sagrada.

Paulo sabia da necessidade na cidade de Éfeso, volta para lá e vislumbra a vontade de Deus para aquela cidade.
Então escreve uma carta a igreja em Corinto notificando àquela igreja a situação em Éfeso, como sendo uma grande oportunidade para a pregação do Evangelho, mas também pede orações pelo seu trabalho naquele lugar, sabendo que quando uma porta se abre o numero de adversário de Deus também é reforçado.

Quando lemos o relatório que Paulo faz sobre a cidade de Éfeso, notamos a grande semelhança com varias cidades de nosso País.

“Então muitos dos que creram vinham e confessavam publicamente as coisas más que haviam feito. E muitos daqueles que praticavam feitiçaria ajuntaram os seus livros e os trouxeram para queimar diante de todos. Quando calcularam o preço dos livros queimados, o total chegou a cinqüenta mil moedas de prata. Assim, de maneira poderosa, a mensagem do Senhor era anunciada e se espalhava cada vez mais”. (At.19:18-20).
“Foi nessa ocasião que houve na cidade de Éfeso uma grande desordem por causa do Caminho do Senhor. Um ourives, chamado Demétrio, fazia pequenos modelos de prata do templo da deusa Diana, e o seu negócio dava muito lucro aos que trabalhavam com ele. Então ele chamou estes e outros da mesma profissão e disse: -Meus amigos, vocês sabem que a nossa riqueza vem deste nosso ofício.
Vocês mesmos podem ver e ouvir o que esse tal de Paulo está fazendo. Ele afirma que os deuses feitos por mãos humanas não são deuses de verdade. E está conseguindo convencer muita gente, tanto daqui como de quase toda a província da Ásia. Assim nós estamos correndo o perigo de ver o povo rejeitar o nosso negócio. E não é só isso. Existe o perigo de o templo da grande deusa Diana não ficar valendo mais nada e também de ser destruída a grandeza dessa deusa adorada por todos na Ásia e no mundo inteiro. Quando a multidão ouviu isso, ficou furiosa e começou a gritar: -Viva a grande Diana de Éfeso! (At.19:23-28).

O templo a Diana (deusa romana que representava a lua, os campos e os bosques. Correspondia à deusa Artemísia, dos gregos. O centro principal de sua adoração estava em Éfeso) era uma das sete maravilhas do mundo antigo – uma magnífica estrutura com 127 colunas de vinte metros de altura, numa área de aproximadamente 140 metros de comprimento por 60 metros de altura.

A semelhança com o grande templo na cidade de Aparecida no Estado de São Paulo que é declarado por lei como sendo a “mãe” dos brasileiros com data especial no calendário cívico nacional etc. (é mera coincidência ou o povo ainda adora Diana? o povo ainda quer uma deusa?).
A feitiçaria que ainda não se sabe ao certo quantas vidas inocentes tem ceifado e ainda continue impune.
O testemunho de homens e mulheres que Deus tem restaurado que clamam diante de multidões dando detalhe dos rituais, mesmo assim ainda continua impune; e os noticiários comunicando diariamente o desaparecimento de crianças?

IGREJA BATISTA VITORIA REGIA, como servo de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, agora servindo esta amada Igreja, eu faço um clamor: se o meu amado irmão ou amada irmã não tem tempo para trabalhar na evangelização de nossa cidade, começando pelo nosso bairro, ore diariamente para que Deus conceda força e sabedoria àqueles que tem se colocado a disposição de Deus para realizar a obra.
ORE DIARIAMENTE; ORE DIUTURNAMENTE.
Olhe ao seu redor pessoas que vivem adorando imagens feitas por mãos humanas; que vivem gastando seu dinheiro com trabalhos de feitiçarias; jovens usando paliativos como drogas e bebidas alcoólicas justificando sua maneira de viver na busca de satisfação e prazeres.

Ore para que Deus levante homens e mulheres para que esta PORTA OPORTUNA NÃO SE FECHE.

Pois nós não anunciamos a nós mesmos; nós anunciamos Jesus Cristo como o Senhor e a nós como servos de vocês, por causa de Jesus. O Deus que disse: "Que da escuridão brilhe a luz" é o mesmo que fez a luz brilhar no nosso coração. E isso para nos trazer a luz do conhecimento da glória de Deus, que brilha no rosto de Jesus Cristo. Porém nós que temos esse tesouro espiritual somos como potes de barro para que fique claro que o poder supremo pertence a Deus e não a nós. Muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados. Temos muitos inimigos, mas nunca nos falta um amigo. Às vezes somos gravemente feridos, mas não somos destruídos. Levamos sempre no nosso corpo mortal a morte de Jesus para que também a vida dele seja vista no nosso corpo. Durante a vida inteira estamos sempre em perigo de morte por causa de Jesus, para que a vida dele seja vista neste nosso corpo mortal. De modo que a morte está agindo em nós, e a vida está agindo em vocês. As Escrituras Sagradas dizem: "Eu cri e por isso falei." Pois assim nós, que temos a mesma fé em Deus, também falamos porque cremos. Pois sabemos que Deus, que ressuscitou o Senhor Jesus, também nos ressuscitará com ele e nos levará, junto com vocês, até a presença dele. Tudo isso aconteceu para o bem de vocês, a fim de que a graça de Deus alcance um número cada vez maior de pessoas, e estas façam mais orações de agradecimento, para a glória de Deus. Por isso nunca ficamos desanimados. Mesmo que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia. II Coríntios 4:5-16

Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura. Isaías 42:8

AO ÚNICO DEUS, SALVADOR NOSSO, POR JESUS CRISTO, NOSSO SENHOR, SEJA GLÓRIA E MAJESTADE, DOMÍNIO E PODER, ANTES DE TODOS OS SÉCULOS, AGORA E PARA TODO O SEMPRE. AMÉM! JUDAS 1:25

domingo, 29 de junho de 2008

Cristianismo Perigoso

O grande cenário dos Jogos Olímpicos está quase pronto e o lugar mais importante não é a arena esportiva, mas a bilheteria, que, por cifras astronômicas, já vendeu a oportunidade de ver o maior evento esportivo do planeta.

Gravitando ao redor do interesse esportivo, uma outra estrutura, a do turismo, também movimentará fortunas e levará à China uma pequena multidão global.
Em nome da segurança, uma estrutura gigantesca e sofisticada de monitoramento e policiamento permitirá a execução do programa com a devida tranqüilidade.

Como é de praxe nessas ocasiões, atos terroristas estão no topo da lista dos eventos mais temidos. No entanto, um dos receios do país sede dos jogos não é divulgado pela mídia e não será perceptível à grande maioria das pessoas interessadas na competição; também não poderá ser detectado pelos sofisticados equipamentos anti-bombas - as Bíblias dos cristãos.

No intuito de impedir a pregação do Evangelho, há uma grande preocupação com a entrada de cristãos e organizações cristãs. A quantidade de Bíblias por pessoa está limitada a uma, os exemplares disponíveis nos hotéis estão "confiscados", além de outras medidas com a mesma finalidade.

Seguir a Cristo, amar o inimigo, oferecer a outra face, ajudar o próximo, convenhamos, não são atitudes de grande potencial ofensivo, mas continuam transtornando o mundo, à semelhança do relato de Atos (17:6) – "...Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui"

O perigo do cristianismo não reside na capacidade para enfrentar o mundo, mas no seu poder sobrenatural para resistir pacificamente às realidades manifestamente contrárias à vontade de Deus.

O cristianismo, pela Palavra de Deus, desmascara as mazelas humanas decorrentes do pecado e a precariedade do neo-humanismo reinante, por isso é temida.
Para todos que a têm no coração, será sempre um tesouro valioso de fé, encorajamento e sabedoria.

"Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração." (Hebreus 4:12)

Pr. Wilson
Igreja Batista Nova Jerusalém - Santos

domingo, 22 de junho de 2008

Ainda dá tempo para um café

Esse foi o convite que nosso pastor fez hoje à noite.

Em Lucas 10:20, ele leu o seguinte: "E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo."

Então nos convidou para o café, lembrando que devemos amar a Deus

de todo o Coração
de toda a Alma
de todas as Forças e
de todo o Entendimento

Um CAFÉ gostoso para tomar com Deus.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Membresia e compromisso.

Muitas vezes percebemos em igrejas batistas que algumas coisas não tem sido devidamente explicadas, ou entendidas em nosso meio. Ser membro de igreja é uma delas.

Tenho visto um pensamento comum que determina que apenas o membro da igreja é crente e isso tem sido um atrapalho (ou atropelo) para as relações dentro de nossas igrejas.

Por pensar desta forma muitos membros são desconsiderados na hora de se dar atenção a alguém, de se pedir perdão, de se fazer uma visita. Eles já estão salvos, não precisam de atenção especial.

Por pensar assim, muitos membros rejeitam a disciplina na igreja, temendo que o irmão pare de fazer parte do reino de Deus e achando que estão simplesmente julgando o próximo.

Por pensar assim, muitos se dão ao direito de fazer ou falar qualquer coisa, tendo como único cuidado o de não perder a membresia da igreja, enquanto ninguém souber do meu pecado ou não tomar uma atitude contra ele, está tudo bem, ainda estou no céu.

Mas, afinal, o que significa ser membro de uma igreja?

Ser membro de uma igreja é antes de tudo dizer que concorda com o ensinamento, com a crença, com o conjunto de normas daquela ASSEMBLÉIA (Igreja). Por este motivo nós estudamos as doutrinas antes do batismo, fazemos profissão de fé, e pedimos aos crentes de outras denominações que passem pelo mesmo processo (mesmo que tenham que se batizar de novo) para poderem ser membros da igreja.

O membro de uma igreja é um ser perfeito, que não peca, não erra?

O membro da igreja é um crente que continua em processo de crescimento, procurando atingir a perfeição de Cristo. Ele não deve ficar estagnado no pouco conhecimento que adquiriu durante sua preparação para o batismo, deve continuar lutando para aperfeiçoar-se espiritualmente e também no amor. Mas isso tem sido exigido apenas de alguns poucos membros diligentes de cada igreja ou denominação. Estamos sujeitos a falhas, grandes e pequenas, erramos, pecamos e pagamos o preço por isso, mas temos que ter consciência do que acontece à nossa volta e da conseqüência de nossos atos diante da sociedade.

O que deve ser determinante para que uma pessoa seja membro de uma igreja?

Primeiramente ele deve aceitar, concordar e respeitar a doutrina da igreja.

O membro deve defender aquilo que sua igreja crê, de forma que sua igreja não seja envergonhada por suas atitudes.

O membro deve procurar, tentar, fazer um esforço para viver de acordo com aquilo que crê.

E se não conseguir?

Se as atitudes do crente estiverem levando o nome do evangelho ao escândalo, é melhor que ele deixe de ser membro, procure corrigir a sua vida e depois peça reconciliação à igreja. Para que seja apresentado sempre digno diante da sua igreja e da sociedade. Esta é a disciplina.

O que devemos fazer com as pessoas que estão com dificuldades de seguir a doutrina?

Ajudá-las, sabendo que poderíamos ser nós a estar sofrendo tal coisa.

Ter consciência que o pecado é antes de tudo um sofrimento, ninguém vive feliz por estar fora de centro da vontade de Deus.

Nunca julgar nosso irmão (e como isto é difícil).

Procurar demonstrar pessoal interesse na reconciliação da pessoa com o Senhor Jesus. Não colaborando com o seu pecado, mas querendo ver resgatado um pecador.

Lembrar sempre que mentir, criar divisões, fofocar, acreditar em horóscopo e outras coisinhas que julgamos menores são pecados tão grandes como o pecado da feitiçaria, e se não têm conseqüências drásticas na sociedade, têm conseqüências terríveis na vida espiritual do crente, minando o seu vigor e sua fé.

Integração de novos convertidos

Deve ser feita com muita atenção. Os novos convertidos não conhecem nosso jargão, não conhecem as pessoas da igreja, têm a tendência de achar que todos aqueles que se congregam aqui estão plenos do Espírito.

Devemos tomar cuidado ao acompanhar os novos convertidos, para que não se frustrem com nossas atitudes, para que não sejam levados a desistir por causa das atitudes de nossos irmão. Para que não creiam em todas as mentiras que se pregam a respeito da igreja.

Integração de visitantes

Aqueles que costumam nos visitar e nunca fazem uma decisão, são nossos maiores críticos. Devemos promover sua integração, mas em tudo devemos falar a eles a respeito da salvação. O funcionamento da igreja eles já conhecem, o defeito dos irmãos também, o que eles precisam conhecer acima de tudo é a salvação em Cristo Jesus. O mais será resolvido.

Integração de pessoas do grupo

É talvez o que nós mais nos esquecemos de fazer. Achamos que pessoas que estão na igreja há anos não precisam mais de nosso carinho, de nossa atenção e cuidado e voltamos todas as nossas energias a dois grupos, os nossos amigos e os de fora, mas isso não deve ser feito assim, devemos procurar constantemente saber das carências espirituais e emocionais de nossos irmãos e procurar ajudá-los em nossas necessidades.

Integração entre grupos

Dentro de uma igreja existem divisões saudáveis mas que muitas vezes estão em níveis diferentes de atividades e às vezes até de espiritualidade. Um grupo que está à frente, mesmo que não em reuniões, deve procurar sempre levar os demais a crescerem. Para que a igreja tenha um único pensamento e atitude, vai ser muito melhor assim.

Integração com o pastor e liderança

Toda a atividade da igreja deve seguir para uma mesma direção. Para isso existem as lideranças. Os planos devem ser expostos, as decisões devem ser acatadas, e se alguma coisa de errada ocorrer no meio do caminho, ninguém deve fazer críticas a quem errou, antes, deve-se buscar uma solução que supere as conseqüências dos erros cometidos.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O Último folheto

Todos os domingos à tarde, depois do culto da manhã na igreja, o pastor e seu filho de 11 anos saíam pela cidade e entregavam folhetos evangelísticos.

Numa tarde de domingo, quando chegou à hora do pastor e seu filho saírem pelas ruas com os folhetos, fazia muito frio lá fora e também chovia muito.

O menino se agasalhou e disse: -'Ok, papai, estou pronto.
E seu pai perguntou:-'Pronto para quê?

-'Pai, está na hora de juntarmos os nossos folhetos e sairmos.

'Seu pai respondeu:-'Filho, está muito frio lá fora e também está chovendo muito.

O menino olhou para o pai surpreso e perguntou: -'Mas, pai, as pessoas não vão para o inferno até mesmo em dias de chuva?

Seu pai respondeu: -'Filho, eu não vou sair nesse frio.

Triste, o menino perguntou: -'Pai, eu posso ir? Por favor!

Seu pai hesitou por um momento e depois disse: -'Filho, você pode ir. Aqui estão os folhetos. Tome cuidado, filho.

-'Obrigado, pai!

Então ele saiu no meio daquela chuva. Este menino de onze anoscaminhou pelas ruas da cidade de porta em porta entregando folhetos evangelísticos a todos que via. Depois de caminhar por duas horas na chuva, ele estava todo molhado,mas faltava o último folheto.

Ele parou na esquina e procurou por alguém para entregar o folheto, mas as ruas estavam totalmente desertas. Então ele se virou em direção à primeira casa que viu e caminhou pela calçada até a porta e tocou a campainha.

Ele tocou acampainha, mas ninguém respondeu. Ele tocou de novo, mais uma vez, mas ninguém abriu a porta. Ele esperou, mas não houve resposta. Finalmente, este soldadinho de onze anos se virou para ir embora, mas algo o deteve.

Mais uma vez, ele se virou para a porta, tocou a campainha e bateu na porta bem forte. Ele esperou, alguma coisa o fazia ficar ali na varanda. Ele tocou de novo e desta vez a porta se abriu bem devagar. De pé na porta estava uma senhora idosa com um olhar muito triste. Ela perguntou gentilmente:-'O que eu posso fazer por você, meu filho?

Com olhos radiantes e um sorriso que iluminou o mundo dela, este pequeno menino disse:-'Senhora, me perdoe se eu estou perturbando, mas eu só gostaria de dizer que JESUS A AMA MUITO e eu vim aqui para lhe entregar o meu último folheto que lhe dirá tudo sobre JESUS e seu grande AMOR.

Então ele entregou o seu último folheto e se virou para ir embora. Ela o chamou e disse:-'Obrigada, meu filho!!! E que Deus te abençoe!!!

Bem, na manhã do seguinte domingo na igreja, o Papai Pastor estava no púlpito. Quando o culto começou ele perguntou:- 'Alguém tem um testemunho ou algo a dizer? Lentamente, na última fila da igreja, uma senhora idosa se pôs de pé.

Conforme ela começou a falar, um olhar glorioso transparecia em seu rosto.

- 'Ninguém me conhece nesta igreja. Eu nunca estive aqui. Vocês sabem antes do domingo passado eu não era cristã. Meu marido faleceu a algum tempo deixando-me totalmente sozinha neste mundo. No domingo passado,sendo um dia particularmente frio e chuvoso, eu tinha decidido no meucoração que eu chegaria ao fim da linha, eu não tinha mais esperança ou vontade de viver. Então eu peguei uma corda e uma cadeira e subi as escadas para o sótão da minha casa.

Eu amarrei a corda numa madeira no telhado, subi na cadeira e coloquei a outra ponta da corda em volta do meu pescoço. De pé naquela cadeira, tão só e de coração partido, eu estava a ponto de saltar, quando, de repente, o toque da campainha me assustou. Eu pensei:-'Vou esperar um minuto e quem quer que seja irá embora.

Eu esperei e esperei, mas a campainha parecia tocar cada vez mais altae era mais insistente; depois a pessoa que estava tocando também começou a bater bem forte. Eu pensei: -'Quem neste mundo pode ser? Ninguém toca a campainha da minha casa ou vem me visitar.

Eu afrouxei a corda do meu pescoço e segui em direção à porta, enquanto a campainha soava cada vez mais alta. Quando eu abri a porta e vi quem era, eu mal pude acreditar, pois na minha varanda estava o menino mais radiante e angelical que já vi emminha vida. O seu SORRISO, ah, eu nunca poderia descrevê-lo a vocês! As palavras que saíam da sua boca fizeram com que o meu coração que estava morto há muito tempo SALTASSE PARA A VIDA quando ele exclamou com voz de querubim:

-'Senhora, eu só vim aqui para dizer QUE JESUS A AMA MUITO. 'Então ele me entregou este folheto que eu agora tenho em minhas mãos.Conforme aquele anjinho desaparecia no frio e na chuva, eu fechei aporta e atenciosamente li cada palavra deste folheto.Então eu subi para o sótão para pegar a minha corda e a cadeira. Eunão iria precisar mais delas. Vocês vêem - eu agora sou uma FILHAFELIZ DO REI!!!

Já que o endereço da sua igreja estava no verso deste folheto, eu vim aqui pessoalmente para dizer OBRIGADO ao anjinho de Deus que no momento certo livrou a minha alma de uma eternidade no inferno. Não havia quem não tivesse lágrimas nos olhos na igreja. E quando gritos de louvor e honra ao REI ecoaram por todo o edifício, o Papai Pastor desceu do púlpito e foi em direção a primeira fila onde o seu anjinho estava sentado. Ele tomou o seu filho nos braços e chorou copiosamente.

Provavelmente nenhuma igreja teve um momento tão glorioso como este e provavelmente este universo nunca viu um pai tão transbordante de amor e honra por causa do seu filho...Exceto um. Este Pai também permitiu que o Seu Filho viesse a um mundo frio e tenebroso. Ele recebeu o Seu Filho de volta com gozo indescritível, todo o céu gritou louvores e honra ao Rei, o Pai assentou o Seu Filho num trono acima de todo principado e potestade e lhe deu um nome que é acima de todo nome. Bem aventurados são os olhos que vêem esta mensagem.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

CRISTIANISMO OU ATIVISMO?

“Melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar.” Salmo 84:10a

Muita gente tem invertido o sentido deste verso e dado uma interpretação não muito correta para o que ele significa. Acham que o simples fato de estar permanentemente na igreja e envolvido com as suas atividades, significa um cristianismo autêntico. Muitas vezes acabam por entrar em um ativismo extremado com uma grande preocupação em agradar as pessoas, o pastor, a juventude, a denominação e acabam por se esquecer do que é mais importante. Para abordar esta questão quero utilizar como referência o ensinamento do próprio Jesus.

Em Mateus 6:1-21 depois de trabalhar alguns temas que envolvem relacionamentos do cristão, Jesus inicia esta parte do seu sermão falando sobre qual deveria ser o objetivo de cada cristão em qualquer atividade que realiza: agradar a Deus.

Nos versos de 1 a 18 do capítulo 6 de Mateus, Ele vai abordar este assunto utilizando como exemplo as três coisas que identificam o verdadeiro religioso daquele tempo: dar esmolas, a oração e o jejum. Para aquele tempo, o religioso “perfeito” era o que dava esmolas, fazia orações fervorosas e jejuava constantemente. Jesus vai desmascarar este ativismo religioso, ensinando que mais do que fazer todas estas coisas, era necessário entender que a motivação para elas deveria ser procurar atender as expectativas de Deus com relação a nossa vida. Para isto Ele chama a atenção para três atitudes importantes.

Não Estar Preocupado em Atender as Expectativas dos Homens

Jesus ensina que se queremos agradar a Deus, não devemos estar preocupados em agradar aos homens. Isto porque nem sempre agradar a Deus significa agradar as pessoas que estão à nossa volta.

A preocupação dos religiosos daquele tempo, a quem Jesus chama de hipócritas (cuja palavra significa ator), era que as pessoas os reconhecessem como devotos. Tanto no dar esmolas como na oração ou no jejum, a maior preocupação deles era: “o que os outros vão pensar?” Por isso gostavam de “trombetear” sempre que ajudavam outras pessoas. Quando se dirigiam ao templo para orar queriam mostrar que eram tão espirituais que não conseguiam esperar chegar ao templo, então se colocavam em locais estratégicos onde pudessem ser vistos por todos e começavam orar em voz alta. Aqueles que jejuavam procuravam demonstrar um semblante de fraqueza. Sequer penteavam os cabelos para que assim os outros percebessem que estavam jejuando. Jesus ensina que essa não deve ser a verdadeira preocupação do cristão. No verso 1 deixa isto bem claro: “Não pratiquem as vossas boas obras diante dos homens para serdes vistos por eles.”
Isto é algo com o que devemos ter muito cuidado. Se queremos agradar a Deus não devemos estar preocupados em agradar aos homens. Ele mesmo deu o exemplo disto em João 5:41: “Eu não aceito glória dos homens...”



Não Estar Preocupado em Atender as Nossas Próprias Expectativas

No verso 3 Ele vai usar uma expressão que deixa bem claro este ensinamento: “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”. O que Jesus ensina aqui é que muita vezes, até mesmo inconscientemente, nas nossas atitudes estamos preocupados em agradar a nós mesmos. Fazemos boas obras, oramos, jejuamos, entregamos o dízimo, organizamos eventos, congressos, reuniões, como se através destas coisas pudéssemos nos justificar. Criamos algo como que um caderninho de créditos onde vamos anotando em nosso ego o quanto e como fizemos tantas coisas. Esta é uma das grandes armadilhas da natureza humana. A necessidade de satisfazer a sua própria vaidade e desejo. Se queremos atender as expectativas de Deus com relação a nossa vida, precisamos estar dispostos a muitas vezes enfrentarmos situações onde não satisfaremos os nossos próprios desejos. Aqueles a quem Jesus chamou de hipócritas tinham uma atitude religiosa onde procuravam justificar a sua santidade e, por isto mesmo, se julgavam superiores aos demais sendo merecedores de maior graça da parte de Deus. É justamente neste ponto que Jesus traz o seu terceiro ensinamento.

Deus Recompensa Pela Sua Graça

A vida cristã não é uma troca, um “toma lá, dá cá”. Em nenhum lugar a Bíblia ensina que o jejum ou qualquer outra atitude da parte do homem lhe confira uma garantia das bençãos de Deus. Deus não precisa de boas obras, de oração ou de jejum, congressos ou festivais. Somos nós que precisamos aprender a servir aos outros, a buscar Deus e a nos disciplinarmos para lembrar que Ele sempre deve ter a prioridade em nossas vidas. Jesus é bem claro em dizer que as recompensas que o Pai nos dá não são em momento algum fruto dos nossos próprios méritos, mas obra da sua graça. Por melhor que sejamos, por mais sincera que seja a nossa motivação, nada disso nos confere o direito de exigirmos nada, pois somos todos pecadores. Se temos direitos a alguma coisa, não são por nossos méritos, mas pelos méritos de Jesus conquistados na cruz. A maior recompensa do cristão deve ser agradar a Deus, atendendo as expectativas que Ele tem com relação a nossa vida, trazendo alegria ao seu coração. Mas Jesus ensina que Ele é Pai e que nos vê em secreto, ou seja, nos conhece melhor que nós mesmos e sabe tudo quanto necessitamos (Salmo 139: 7-10). Por obra da sua graça e amor Ele nos recompensa. “Aquele que nem mesmo a seu próprio filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará com ele todas as coisas”. (Rom 8:32)
Mas você pode estar pensando: “Então é melhor não fazer mais nada na igreja, ou na juventude”! Calma, não é bem assim. Para não passar a falsa impressão que o que Ele estava ensinando era que não se fazia necessário trabalhar na obra de Deus, nos versos 18 a 21, Jesus ensina que se queremos agradar a Deus, precisamos investir em coisas eternas e não passageiras.

Não havia a menor segurança no mundo antigo. Os bens que as pessoas possuíam eram alvo fácil para os agentes destruidores como a traça, a ferrugem, as pragas e os ladrões. É neste contexto que Jesus diz que o homem não deve ajuntar para si tesouros na Terra. Deve ficar bem claro que Jesus não está falando que o homem não possa ter propriedades, ou desfrutar das coisas boas que Deus criou, ou até mesmo economizar para dias piores, o que a Bíblia até mesmo incentiva – Pv 6:6. O que Ele quer que os seus discípulos aprendam, é que vale a pena investir a vida nas coisas de Deus, mas da forma correta.

Fincando Bem as Raízes

É interessante perceber como é comum quando olhamos para uma árvore, darmos sempre mais importância aos frutos do que as raízes. Isto acontece porque os frutos chamam atenção pela sua beleza, e normalmente ocupam uma posição privilegiada, enquanto que as raízes além não ter qualquer atrativo visual, geralmente estão abaixo da superfície. O interessante de tudo isto é perceber a importância de cada um cumprindo o seu papel para o resultado final. Quanto mais profundas as raízes, melhores serão os frutos.

Esta é a orientação e promessa de Deus através do profeta Isaías ao rei Ezequias a respeito do povo (II Reis 19:30). Ele deveria a partir daquele momento ter a preocupação não somente em “produzir frutos”, mas também em aprofundar suas raízes.

No mundo em que vivemos somos tentados a investir somente naquilo que os outros podem ver, nos resultados, na produtividade. Muitas vezes a nossa vida é dominada pelo ativismo e pela superficialidade e o que normalmente ocorre é que os “frutos” que são produzidos não tem boa qualidade, isto quando ela é frutífera (ver Mateus 13:1-23).

O que Deus espera de nós é que estejamos investindo nossa vida, nosso tempo, nossos dons e tudo o mais que Ele nos tem concedido, não somente em produzir frutos, mas também em aprofundar as nossas raízes Nele. Isto vem através da oração, do estudo da Bíblia, de uma vida íntegra em busca da santificação. Sem dúvida isto não é algo que os outros vão apreciar ou fará com que sejamos reconhecidos, mas com certeza, os frutos que produzirmos a partir daí serão de boa qualidade, duradouros e reconhecidos como aqueles produzidos pelo próprio Deus em nós e através de nós. O próprio Jesus nos afirma isto no Evangelho de João 15:5: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto”.

Se você almeja ter uma vida autenticamente cristã e não ser um mero ativista religioso, lembre-se sempre que quanto mais profundas as suas raízes, mais visíveis serão os seus frutos. Invista nisso e você verá a diferença.

Pr. Marcelo Santos
Pastor da Igreja Batista da Graça/SP
Redator do Site Ponto Jovem
Graduado em Teolgia e História
Mestre em Ciências da Religião

sexta-feira, 9 de maio de 2008

MÃE,


MÃE,
SEMPRE MÃE

Mãe, palavra sagrada,
De todos, apreciada,
A primeira balbuciada
No mundo da criançada.

Mãe, palavra encantada,
Em toda parte presente,
Por Deus agraciada,
É a origem de toda a gente.

É o segundo nome invocado
No auge de um desespero.
É o grito do apavorado
Eu quero mamãe, eu quero.

Mãe do tipo integral,
Com frio, calor, tudo mais,
Supera qualquer temporal
Deixar o posto jamais.

Se estou encantoado,
Sem ninguém que me socorra,
Mamãe está ao meu lado
Para não deixar que eu morra.

Patrimônio de toda gente,
Propriedade do ser vivente,
Ninguém se torna existente
Sem uma mãe na frente.

Sua vida nossa vida,
Seu prazer o nosso bem.
Pelo amor, não importa a lida,
Sempre dá tudo o que tem.

Mães presentes, mães ausentes,
Mães da terra, mães do mundo.
Nós, os filhos, mui contentes
O nosso amor mais profundo!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Homens

Não pode errar o homem que acertou o caminho,
Nem pode duvidar da certeza do seu destino.

Não pode esquecer da palavra dada, compromisso feito,
atitude pretendida, prometida para os seus.

Há que se lembrar esse homem,
que as pessoas esperam dele mais do que pode dar,
mais do que pode ser,
mais do que podem ser.

Sim, porque o homem é pequeno,
como pequeno é o seu saber.
Mas é visto como grande,
pelos que nele querem se inspirar.

Não pode o homem se cansar, parar, desistir, hesitar.
Porque junto ao seu caminho, descansando à sua sombra,
bebendo em sua fonte, muitos estão.

Então o homem deve ceder lugar,
para que o Senhor seja forte, quando é a sua vez de lutar.

Deve o homem lançar sobre Ele as suas dores,
suas fraquezas, seus receios, seus incômodos e temores,
até mesmo seus pecados. Pois só Jesus pode suportar.

domingo, 13 de abril de 2008

Seu Pernambuco

“Não se enganem; não sejam apenas ouvintes dessa mensagem, mas a ponham em prática”. (Tiago 1.22)

Há gente que não ouve a Palavra de Deus. As razões são muitas. Vão desde a falta de tempo até o desânimo total na fé, quem sabe justificado pelo mau testemunho de alguém (mas o padrão não é Cristo?).

Os dias ficam curtos para comportar tantos sonhos, e o ritmo acelerado impede a lembrança do perigo de “construirmos depósitos cada vez maiores” esquecendo do “louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12.20). Quem deixa a Palavra de Deus acaba “correndo atrás do vento” (Eclesiastes 1.14 NVI).

Há gente que tenta ajeitar a vida cristã com os compromissos com o mundo. Esses se perdem ainda mais, porque querem a aprovação do mundo e de Deus ao mesmo tempo. Ninguém na história conseguiu isso, porque “não podemos servir a dois senhores” (MT 6.24). Ou servimos a Deus com exclusividade, ou já estamos servindo ao outro.

Há gente que ouve a Palavra e a põe em prática. Como faz diferença! Ouçamos a irmã Nádia: ao longo de anos ela ajudou um senhor carente e sozinho conhecido como Pernambuco. O homem ficou cego. Revoltado, passou a destratar todo mundo. Um vizinho pediu que d. Nádia conversasse com ele para acalmá-lo. Ela tentou, mas mesmo assim foi agredida com palavras duras. Triste, pensou em desistir. Não gastaria mais seu tempo com uma pessoa tão amarga e ingrata.

Dias depois houve um atropelamento na esquina. D. Nádia tinha saído do culto, voltava para casa. Correu para ver. Era o Sauri, ou Pernambuco. O motorista, jovem, não sabia o que fazer. D. Nádia identificou-se como amiga do pobre homem, e foi junto ao Pronto Socorro. Cuidou de tudo: da vítima, do motorista, da continuação.

A irmã Nádia comentou: - acho que teria ajudado de qualquer jeito, mas quando vi o homem no chão lembrei do estudo do perdão em Mateus 6 e decidi viver aquilo. Quando vi, estava envolvida, sem almoço, acompanhando outras pessoas por uma tarde inteira, até resolver tudo.

É Seu Pernambuco, que bom que ela ouviu e praticou!

domingo, 6 de abril de 2008

Almas X Porcos

O pastor e missionário José Nilton de Paula contou para a Floresta em “linguagem cearense” o texto de Marcos 4.35 a 5.20. Texto que fala do trabalho incessante de Jesus, que mesmo cansado, segue viagem pelo lago da Galiléia. Enquanto dorme, os discípulos cuidam do barco. No trajeto, uma tempestade comum na região assusta os pescadores treinados. Sem saída, acordam Jesus, que ordena que o vento fique quieto. Chegam a Gadara, ou Gerasa. Ao descer do barco, Jesus é interpelado por um homem dominado por espíritos malignos.

A biografia do gadareno, de quem não sabemos o nome, é tétrica: abandonado por todos, sem família, mora no cemitério. As autoridades não conseguem dominá-lo, ele quebra todas as correntes. Perturba a ordem pública. Fere-se se com pedras. Grita para Jesus, identificando-o como Filho do Deus Altíssimo. Para o povo que aguarda com curiosidade a chegada do grupo, aqueles gritos mais parecem zombaria.

Mas Jesus tinha seguido viagem mesmo cansado, e tinha repreendido a fúria do mar exatamente por causa deste encontro. É então que ordena a saída dos espíritos maus, que se chamam “legião”. Pedem permissão para dominar uma vara de porcos que está perto. Jesus consente. Os espíritos agem com violência. Os quase dois mil animais despencam morro abaixo, afogando-se no lago enorme.

O homem antes prisioneiro de Satanás, agora está livre, sentado, vestido, em perfeito juízo. Motivo de louvor a Deus? Não. A cidade pede com insistência que Jesus vá embora. O povo está preocupado com prejuízos menores. Não vê o valor de uma alma eterna. Quantas vezes deixamos de ver as pessoas, impressionados com bens materiais?

O pastor José Nilton deixou conosco a lembrança: olhemos para as pessoas, pelas quais Jesus morreu na cruz. Qualquer outro valor é menor. Pensando bem, riquezas, prazeres, poder, nada disso é tão importante como uma vida. Porque outras coisas, comparativamente, são só isso. Porcos.

Ivo Seitz

quinta-feira, 27 de março de 2008

Um deles não

Três indivíduos foram julgados por crimes contra a humanidade.
Dois deles cometeram crimes.
Um deles, não.

Três indivíduos tiveram julgamentos por autoridades competentes.
Dois deles tiveram julgamentos justos.
Um deles, não.

Três indivíduos foram chicoteados e surrados.
Dois deles fizeram por merecer.
Um deles, não.

Três indivíduos tiveram que carregar cruzes.
Dois deles mereceram suas cruzes.
Um deles, não.

Três indivíduos agonizaram por causa de seu abandono.
Dois deles sabiam a razão de serem abandonados.
Um deles, não.

Três indivíduos conversaram durante o tempo que ficaram pendurados em suas cruzes.
Dois deles discutiram.
Um deles, não.

Três indivíduos sabiam que a morte estava vindo.
Dois deles resistiram a ela.
Um deles, não.

Um, Dois, Três indivíduos morreram nas três cruzes.
Três dias após, Dois indivíduos permaneceram na sua tumba.
Um deles, não!

[Autor desconhecido. Tradução de Cynthia Jacob Berzins]

terça-feira, 25 de março de 2008

O equilibrista

Era uma manhã de domingo, o parque estava cheio, as pessoas tinham aproveitado o dia de sol ameno para passear com suas famílias, deixar as crianças correrem e tudo o mais que se faz para aproveitar um dia bonito de verão.

De repente viu-se m alvoroço na praça, as pessoas se deslocavam para uma das esquinas, onde dois prédios gigantescos, distantes um do outro cerca de cem metros, testemunhavam a exibição de um velho equilibrista.

Ele havia estendido um cabo entre os prédios e começou a atravessar de um para o outro, cada vez de uma maneira diferente.

Na primeira vez o velho equilibrista atravessou com uma vara em suas mãos, fazendo aquele suspense, fingindo insegurança diante das rajadas de vento. A multidão aplaudiu efusivamente.

Na segunda vez o velho atravessou de olhos vendados. A multidão assoviava e cada vez mais pessoas observavam as proezas do velho.

Na terceira vez o velho passou com uma bicicleta de um lado par ao outro, a uma altura de dezesseis andares do chão. A multidão vibrava com todas as suas forças.

Ao completar a travessia com a bicicleta o velho estendeu de cima uma faixa que perguntava: vocês acreditam que posso fazer a próxima travessia com uma pessoa na garupa?

As pessoas gritavam e aplaudiam, ávidas por uma nova etapa do espetáculo.

Foi quando o velho estendeu outra faixa que dizia: - então subam, venham na minha garupa.

Nenhum espectador teve coragem de aceitar o desafio.

Quantas pessoas dizem crer em Jesus Cristo, aplaudem seus feitos, admiram sua sabedoria e coragem? Certamente muitas o fazem.

Quantas pessoas crêem o suficiente para seguirem na sua garupa?

E você, por que ainda não acredita em Jesus Cristo?

(Autor desconhecido)

sábado, 22 de março de 2008

Somos caminhos que Deus usa?

Senhor, do alto sei que vês melhor,
quanto mais se sobe, maior a visão;
Teus olhos abrangem a eternidade:
contemplam o sol em sua imensidade,
vêem o verme a se arrastar no chão.

Para que então ficar gritando ao mundo:
olha o que tenho, o que sei, que sou?
Se lá do alto vês o mundo todo,
Tu sabes, Senhor, onde eu estou.

Tu sabes por que vim ao mundo,
tens uma missão pra mim.
Nada mais falta que submissão,dizer ?
Ordena. Abrir o coração.
Ouvir a ordem e obedecer assim:
Sem importar a obra que a mim couber,
ou o lugar em que meu campo esteja.

Pode ser obscura minha atuação,
o que me importa é Tua aprovação,
ser tudo aquilo que queres que eu seja.

Talvez não tenha a sorte das estrelas
que belas cintilam, dando inspiração.
Talvez meu campo seja o mais mesquinho;
que me importa, se me tornar caminho
por onde passe a Tua compaixão?

Foram caminhos os servos do passado,
através de História um traço de luz:
Abraão, Moisés, José, Rute, Davi,
Jonas, Ester foram no tempo aqui
apenas caminhos em direção da cruz.

Os que vieram depois também são caminhos
por onde a graça de Jesus passou
em busca do oprimido e do aflito,
caminhos que se fundem no infinito
no Único Caminho que um dia me salvou.

Agora, Senhor, a minha prece:
eu quero a graça de participar,
se não posso ser um caminho brilhante,
faze-me atalho na serra distante
mas onde o mundo veja Teu amor passar.

Usa-me, Senhor, durante todo o tempo,
para que no dia em que voltar ao céu,
possa dizer-Te, com um sorriso doce:
- Nada fiz, nada ajuntei, eu nada trouxe,
na terra fui apenas um caminho Teu.

domingo, 2 de março de 2008

Tempo de chorar

“Tempo de chorar...”
Uma perspectiva bíblica do luto
“Há tempo para todo propósito debaixo do céu. Tempo de prantear e tempo de dançar” (Ec 3.1b, 4).

Fomos feitos para viver e viver em plenitude de vida, conforme nos ensina a Bíblia, desde primeiro capítulo do Gênesis quando Deus cria uma casa-jardim para o primeiro casal. Até o Apocalipse, passando especialmente pelo ministério de Jesus, todo o Novo Testamento aponta para a valorização e celebração da vida humana (cf. Jo 10.10b; Mt 4. 23.24 etc). Por isso sabemos fazer uma festa, reunir os amigos, celebrar a alegria.

Já a morte, bem... não fomos feitos para a morte, entretanto, com o advento do pecado (Gn 3), sofremos o castigo da finitude. Mas como enfrentar a perda, a separação de quem a gente ama? É fato que na mesma proporção em que sabemos organizar uma festa para celebrar a vida, de igual modo não sabemos devidamente como enfrentar a perda e viver o luto! Como viver coerentemente e também biblicamente esses momentos? É em torno destas questões que nos deteremos a seguir, objetivando que a Palavra de Deus, supremamente, nos oriente a viver sabiamente essa difícil e delicada situação.

UM SERVO DE DEUS FICA DE LUTO OU CHORA DIANTE DA MORTE?

Por mais que aparentemente sejam absurdas estas questões, elas se justificam em função de muitas pessoas acreditarem e defenderem, convictas de estarem corretas, de que um servo de Deus não chora – ou não deveria chorar – em face ao falecimento de alguém.
Mas, como agir diante da morte ou como enfrentar a perda de alguém que a gente ama? Um cristão ficaria enlutado ou deveria guardar luto?

Luto, segundo nossos dicionários, é um sentimento de dor ou pesar pela morte de alguém. Compreendendo assim, como um servo de Deus não ficaria de luto, se ele também enfrenta a morte de pessoas a quem ele ama? Além disso, como não honraria a memória daquele que partiu, guardando por um tempo, abster-se de certas práticas e comportamentos?

A Bíblia possui várias passagens que menciona luto, isto é, sofrimento e pesar pela morte de alguém querido. Vejamos alguns destaques no contexto do Antigo Testamento.
1. Abraão, o maior dos patriarcas, o “pai de nossa fé”, chora a morte de sua esposa Sara (Gn 23.2);
2. José lamenta a morte de seu pai, Jacó, por ele faz grande pranto e, com os egípcios fica de luto por mais de 70 dias... (vale a pena ler e meditar no texto de Gênesis 50.1-13);
3. Arão, o velho sumo-sacerdote, morre e a lamentação-luto de todo o povo de Deus por ele dura um mês (Nm 20.29).
4. No final do livro de Deuteronômio, lemos acerca daquele que foi o grande libertador do povo de Deus no Antigo Testamento, Moisés: “Os filhos de Israel prantearam a Moisés por trinta dias nas planícies de Moabe; e os dias do pranto no luto por Moisés se cumpriram (Dt 34.8).
5. Davi, “o homem segundo o coração de Deus”, chora e faz poesia para homenagear Jônatas, seu amigo, e Saul, o rei, embora este o tivesse perseguido, conforme lemos em 1Samuel 1.17-27. Também chora e fica enlutado por outras pessoas, como a Abner (2Sm 3.31-39), Absalão (2Sm 18.33) etc.

Chorar é da condição humana, é um atributo de nossa natureza feita pelo próprio Deus. Assim como rir é natural, também o é o ato de chorar. Como entender, pois, que em nossas igrejas, já tenhamos ouvido reprimendas a alguém que chora a perda de um ente-querido ou ensinos de que não devemos nos expor no lamento, pois isso “não seria um bom testemunho de um cristão”?
Viver o luto, aquele mais pesado nos tempos iniciais após a partida da pessoa querida, e mesmo o luto mais leve quando nossa alma já está mais serena em função do ocorrido, é uma experiência indispensável e fundamentada na Bíblia, como vimos acima, e também terapêutica, como ensinam profissionais de ciências humanas.

LAMENTO E LUTO NO NOVO TESTAMENTO

O que nos ensina ou menciona o Novo Testamento acerca da morte, do choro e do luto? Vejamos alguns textos, mesmo de maneira abreviada.
1. Uma das primeiras menções a choro e lamentação, devido à morte de pessoas, temos em Mateus 2.16-18, onde é narrado o assassinato das crianças feito por Herodes e o desespero de Raquel, que perde seus filhos. Embora seja um registro curto, revela-nos um quadro dramático de profunda dor e lamento.
2. Em Lucas 7.11-17, lemos sobre o choro da viúva de Naim, por causa da morte de seu filho, bem como a manifestação de solidariedade de Jesus, ao acolher e consolar a mãe e, sobretudo, ressuscitar o falecido.
3. Ainda em Lucas 8.49-56 temos o registro da morte da filha de Jairo e da grande lamentação que os presentes faziam. Jesus chega e diz a todos para não chorarem, pois a menina “não está morta, mas dorme”. Alguém poderia concluir aqui que Jesus não quer que a gente chore diante da morte, quando na verdade ele recomenda o cessar do pranto, pois vai transformar, naquele instante, a morte em vida.
4. Lucas faz ainda dois registros específicos de lamentação da parte de Jesus por causa da cidade de Jerusalém, seu povo, que haveria de perecer, de morrer, porque não aceitara os profetas que lhes fora enviado, nem mesmo sua própria palavra (Lc 13.31-35; 19.41-44).
5. Certamente o mais contundente texto sobre a dimensão humana de Jesus perante a morte está registrado em João 11.1-44, que é o episódio do falecimento de Lázaro. O versículo 31 informa que os judeus consolavam a Maria, que chorava a morte de seu irmão. O versículo 33 diz textualmente: “Jesus, pois, quando a viu chorar, e chorarem também os judeus que com ela vinham, comoveu-se em espírito, e perturbou-se. Em seguida, ao chegar à sepultura de Lázaro, temos o registro da informação, conhecida como o menor versículo da Bíblia: “Jesus chorou” (Jo 11.35). Sim, é isto mesmo, diante da morte de seu amigo, que ele sabia que ia acontecer e que também sabia que iria ressuscitá-lo, ainda assim, em meio à dura realidade da perda, mesmo temporária, o filho de Deus não teve, inicialmente, outra atitude, que não o lamento, o choro.

Analisando toda a narrativa, percebemos que o pranto de Jesus é por Lázaro, pelas irmãs, pelos amigos e por todos que estavam aflitos, afinal, o sofrimento causado pela morte é de uma dimensão inigualável. O filho de Deus chora, perturba-se e é solidário com a dor daquelas pessoas.

Testemunhando aquele quadro os judeus, consternados, comentam sobre Jesus e sua relação com Lázaro: “Vede como o amava” (Jo 11. 36).
De fato, quem ama, chora, lamenta, prateia, enluta-se por causa da morte de uma pessoa querida. Isso é humano, natural, além de uma virtude cristã.

Aquele que de fato ama profunda e intensamente alguém, não pode se manter insensível diante da sua morte. Além de não ser humano nem natural – permita-me reiterar –, pode até ser um sinal de que não tem o coração tocado pela graça e a generosidade de Jesus.

Julgo ser suficiente para o escopo do presente estudo, este registro joanino sobre o choro de Jesus perante a morte, entretanto, ainda farei mais algumas menções quanto aos apóstolos e a igreja primitiva.
6. Embora ele tenha falado de sua ressurreição, os discípulos manifestaram tristeza, e até desespero, com a morte de Jesus (Lc 24.21; Jo 20.20), Madalena chorou (Jo 20.11-13) e certamente muitos outros seguidores de Jesus também.
7. Lucas registra as exéquias da discípula Tabita, no cenáculo em Jope, bem como o choro das viúvas, que testemunhavam de sua vida cristã exemplar (At 9.36-39).
8. Em outra passagem Lucas relata a despedida de Paulo da igreja de Éfeso, quando os líderes reunidos ouviram a prestação de contas do apóstolo. Em função das informações de Paulo, inclusive dos perigos que o aguardavam, a igreja chora, aos prantos, “entristecendo-se principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais seu rosto” (At 20.36-38). Foi a provável iminência da morte de Paulo que levou os líderes de Éfeso ao choro e à tristeza.

Por mais difícil, e mesmo indesejado que seja enfrentar o falecimento de quem a gente ama, devemos considerar o ensino do sábio Salomão, quando diz: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens e os vivos o aplicam ao seu coração” (Ec 7.2). Luto, portanto, segundo a Bíblia, é um tempo de reflexão, de meditação, de ampliar a sabedoria, para depois aproveitarmos, mais e melhor, a vida que Deus nos dá.

APRENDER A CHORAR COM OS QUE CHORAM

Chorar com os que choram, isto é, ser solidário e companheiro de quem enfrenta dor, dificuldade, perda, luto, além de ser um elevado valor humano é uma expressa recomendação bíblica (Rm 12. 15b).

Podemos até não conseguir chorar diante da dor e do sofrimento, podemos até não conseguir verbalizar o que estamos sentindo, mas não podemos nos dar ao luxo da insensibilidade, da falta de solidariedade, da manifestação de humanidade.
Viver o luto, lamentar e chorar as pessoas que nos são queridas não é falta de fé, nem de confiança em Deus, nem ainda demonstração de falta de segurança da vida eterna.

Prantear e vivenciar o luto durante o tempo que cada um julgar adequado, não significa falta de comunhão com Deus ou desprezo pelo consolo do Espírito Santo. Estar enlutado não implica ausência de paz, de alegria verdadeira nem da segurança confortadora de Cristo. Não! Embora confiemos e creiamos que “as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18) ainda assim sofremos, choramos e lamentamos com as dores, as perdas, a separação – mesmo temporária – de quem a gente ama. É a dimensão de nossa humanidade, mesmo vivendo sabiamente a espiritualidade cristã.

Em meio ao sofrimento, embora a gente não se angustie, ainda assim sofremos a tribulação; embora não desesperados, mas ficamos perplexos; mesmo não desamparados, mas somos perseguidos; embora não destruídos, mas sofremos abatimento (cf. 2Co 4.8, 9). Este texto bíblico é de esperança, mas inverti propositadamente a ordem de sua apresentação para corroborar, honestamente, a nossa tese.

Confortados e consolados, pois “à vista do Senhor a morte de um servo dele é algo precioso” (Sl 116.15), ainda assim, humanamente, como os patriarcas, os apóstolos e o próprio Cristo, nos entristecemos, choramos e lamentamos a morte daquele a quem amanos. Mesmo conscientes da sustentação mediante a graça e a ternura de Deus.
Luto, conforme apresentamos acima, não é sinal de masoquismo nem de autocomiseração. É uma imperiosa necessidade humana e cristã.

Certamente que as pessoas têm reações diferentes diante da morte, têm maneiras diversas de enfrentar o luto, mas acredito que todos precisamos aprender a viver a dor, a saudade, a perda, que é uma realidade inexorável da condição humana, sem fugir – o que é, no mínimo, ingenuidade – para um outro estágio.

Na sociedade contemporânea, dominada pela idéia ditatorial de felicidade – muitas vezes a qualquer custo – as pessoas não toleram ou não sabem viver de outro jeito senão esbanjando uma felicidade que, na verdade, muitas vezes, inexiste, pois é fruto de máscara social, como dizem os sociólogos.

Seduzidos pela cultura do descartável, tão forte neste tempo, os seres humanos jogam fora, facilmente, um casamento, uma relação profissional, uma amizade, seus valores, tudo em nome de prestígio, poder e privilégios... Assim agindo, não concebem a idéia de honrar a memória de alguém que morreu, então também descartam completamente de seu cotidiano, de sua trajetória e até de sua memória, aquele que partiu para sempre. Os hebreus, nossos antepassados na fé, agiram de maneira muito diferente, como exemplificam os textos apresentados no primeiro tópico deste estudo.


REFLEXÕES FINAIS

Prantear e viver o tempo do luto, mais que uma necessidade terapêutica, mais que uma constatação psicológica, é um ato de sabedoria cristã, de aprendizagem bíblica, de respeito e carinho pela memória daquele que partiu. E é um tempo extremamente fundamental para que depois se possa viver, saudavelmente, um novo ciclo da vida.

Ao reverenciar aqueles que nos deixaram, não agimos com bases em certas doutrinas religiosas que sacralizam ou cultuam os mortos. Não! Ao trazer à memória aqueles a quem amamos, sobretudo quando tiveram uma vida de exaltação a Deus, fazemos nos aproximando do exemplo do autor aos Hebreus, que ao homenagear os heróis da fé, está ao mesmo tempo, glorificando a Deus, a quem todos serviram e por isso mesmo são lembrados (Hb 11.1-40).

Embora a morte não nos deva desesperar, nem mesmo nos fazer perder a lucidez, nem ainda nos destruir, mesmo assim devemos aprender a viver, com sabedoria do alto e sensibilidade humana, estes momentos.

Usando como metáfora o fato da paixão de Cristo, digo que não podemos adiantar a alegria do domingo da Ressurreição. Antes, é imperioso passarmos pela dor, o sofrimento e o choro da sexta-feira da crucificação e morte de Jesus. Sentir o vazio, a solidão, a tristeza aguda, enfim, o luto, do sábado é uma fase que não pode ser extirpada. Somente experimenta, intensa e profundamente, a alegria da renovação da vida ocorrida no domingo de Páscoa, quem não negou, mas viveu existencialmente a dor dos dias antecedentes.

Enquanto damos prosseguimento à missão de Cristo como Igreja Batista Memorial da Tijuca, creio que podemos, e devemos, concomitantemente, viver sabiamente o luto, no tempo necessário, por aquele que foi tomado por Deus no exercício do ministério pastoral de nossa comunidade. O querido, amado, inesquecível, servo valoroso do Senhor e personalidade respeitada do Reino de Deus, nosso pastor Xavier dos Santos Filho, merece todo nosso carinho e homenagem. E tudo isso glorifica a Deus, a quem ele serviu de maneira exemplar.


Pr. Clemir Fernandes

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Tomate

Algumas pessoas pensam que Deus é um velho ranzinza e traiçoeiro, disposto a achar as nossas falhas para nos condenar a terríveis castigos eternos.

Algumas pessoas pensam que Deus é um conjunto de regras. Impessoal. Em forma de leis e regulamentos, que fez um contrato com a humanidade cujas cláusulas são impossíveis de se atender. Um deus de papel, com carimbo e assinatura.

Outros ainda pensam que Deus é um caixa eletrônico, um escravo, um pau-mandado ou sei lá o quê.

Na minha opinião Deus é bom, generoso e feliz. É sério e comprometido com sua aliança, mas brinca com a mania dos homens de acharem que podem decifrar o seu caráter ou entender a sua personalidade sem se relacionar com Ele. Por isso Paulo nos fala da "multiforme graça de Deus".

O tomate é um exemplo dessa brincadeira que Deus faz com as manias dos homens de achar que sabem tudo. Experimentem descrever um tomate e depois vejam se eu não tenho razão...

1. O tomate é uma fruta (de acordo com a ciência), mas é consumido como uma verdura.

2. O tomate é mais pesado do que devia. É comum que as plantas sejam apoiadas e os galhos presos a um suporte para poder sustentar o peso do fruto.

3. O tomate possui diversas consistências em sua composição, Coisas que se encontram em outros vegetais, só que no tomate está tudo junto, vejam: uma pele fina que parece plástico; uma poupa carnuda que está sempre fresquinha; dentro de tudo isso fica uma geléia gostosa com as sementes. Várias consistências ao mesmo tempo.

4. O tomate verde pode ser frito. Mas se fritar o tomate maduto ele derrete.

5. Se cozinhar um montão de tomate, fica ácido, aí a gente põe uma pitada de açúcar e acaba a acidez. Mas se fizer um suco de tomate com muto açúcar, fica ácido também.

6. Você pode fazer diversos molhos com tomate, mas pode fazer suco também.

7. O tomate foi o primeiro produto cujo benefício na prevenção do câncer de próstata foi cientificamente comprovado. Mas se os homens quiserem se encher de tomate para escapar do exame, vão queimar os rins.

8. Você tira a semente do tomate para fazer certas comidas (porque dizem que é ácida) mas ái perde boa parte do sabor.

9. A pele do tomate sai se você esquentar um pouco, esperar pipocar e puxar. Mas se vc. esquentar demais o tomate derrete e a pele fica.

Quando a gente começa a listar as características e propriedades do tomate, até se esquece, de tantas que são. Pois ele é maravilhosamente diverso.

Os cientistas, então, tentaram fazer um tomate vitaminado, cheio de produtos a mais para "melhorar" a alimentação do povo. O que aconteceu? O tomate ficou roxo.

É ou não é maravilhoso pensar no tomate? Deus parece que fez o tomate para mostrar para os homens o quanto Ele mesmo é indecifrável.

O que eu aprendo com o tomate?

Que não é possível aprisionar Deus em um conjunto de regras. Que é necessário criar um relacionamento profundo com Ele para saber o que ele tem a nos oferecer a cada dia. Que ele é pessoal e se relaciona com cada um de nós de maneira diferente. Que cada presente que Deus nos dá tem uma característica diferente, porque somos diferentes uns dos outros graças a Ele mesmo.

O tomate para mim é um sorriso de Deus, uma amostra do seu humor e do seu amor por nós. Talvez eu mesmo esteja errado, mas podem ter certeza que eu gosto de tomate, ele muito me lembra Deus.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Pr. Xavier está com o Senhor

Faleceu neste dia 22 de fevereiro o Pr. Xavier, de quem temos noticiado.

Ele já estava enfermo a algum tempo. Era muito conhecido no meio batista, um servo do Senhor.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

CARTA DA MISERICÓRDIA

"Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se a cada manhã; grande é a sua fidelidade" (Jeremias, em Lamentações 3. 22 e 23).


Quando o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas, ele ficou impressionado sobre quão facilmente eles estavam sucumbindo à tentação da auto-justiça, ou seja, pensarem que Deus lhes devia algo por serem ou fazerem alguma coisa por Ele, de modo a que Deus ficasse lhes devendo algo.

Ontem foram tarde e noite muito difíceis para mim e quase caí nesta armadilha sutil e perigosa. Sofri muito com dores inenarráveis, pois o alimento não conseguia passar e tive alguns episódios de vômito. Naquelas horas senti Deus tão distante, e comecei a experimentar um tipo de autocomiseração. Fiquei me lembrando de tantas palavras boas que tenho ouvido sobre minha vida, meu ministério, pessoas me lembrando de quão importante fui em determinado momento da vida delas, de ações como pastor, de como tenho servido de exemplo em meio a este sofrimento, a maneira como tenho me portado, etc...

Enquanto sofria, me via quase que cobrando de Deus o alívio para aquele sofrimento ou a cura imediata, afinal ele curou tanta gente que nada fizera por ele e ali estava eu, seu servo, com uma boa folha de serviço, sofrendo. Não era justo. Ele tinha que fazer alguma coisa.

Durante a noite, já sem a dor, comecei a orar e Deus parecia tão distante. Não sei se pude entender exatamente as palavras de Jesus na cruz: "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste"..., mas passou perto!!! Parecia que eu falava para as paredes. Lembrei-me do diálogo de Deus com Jó, quando diante da grandeza e da majestade de Deus, Jó decide simplesmente botar a mão sobre a boca e não falar mais nada.

Decidi tomar a mesma decisão, que é muito sábia. Porém, mais do que me mostrar quem Ele é, Deus começou a mostrar quem eu era, e aí comecei a cair na real. Vi-me sentindo ciúmes de tantos colegas que estão com suas igrejas em retiro, estão voltando das férias para reiniciar os seus ministérios, ou estão começando um novo ministério cheio de planos e idéias. E ali estava eu numa cama, impotente, cheio de autocomiseração, auto-justiça, achando que era mesmo um exemplo, aceitando todas aquelas boas palavras sobre mim, quando na verdade eu tenho medos, dúvidas, questionamentos, pouca fé, ansiedade.

Até para escrever esta carta tenho medo de passar uma imagem de humildade que não existe. Foi quando me lembrei, e que boa lembrança, "que Deus provou o seu amor para comigo sendo eu ainda um PECADOR". É onde a vida cristã começa e continua. Deus decidiu me amar e continuar a me amar, a despeito de mim mesmo. Eu não sou mesmo exemplo de nada, mas um servo inútil, e por favor não desmintam a Bíblia, e saibam que isto se aplica a todos nós, mesmo aqueles que querem pensar diferente. Deus não reparte a glória dEle com ninguém. Se tenho conseguido "segurar" as pontas, é porque a graça e a misericórdia dEle se manifestam na minha fraqueza, em toda a plenitude da minha fraqueza, física, espiritual, moral, etc.

O apóstolo Paulo tem uma dimensão desta graça que me deixa sempre envergonhado. Sempre reconheceu que era o principal dos pecadores. E que tudo o que fazia e tinha, era somente devido à graça de Jesus. Sou grato a Deus pelo sofrimento e por esta tarde e noite que me têm feito enxergar isso, e que têm ajudado a me abandonar aos cuidados dEle. Foi difícil rasgar a minha folha de serviços prestados. Mas acredito que consegui fazê-lo. Agora não tenho nada para apresentar diante dEle, a não ser tão-somente os méritos de Seu Filho Jesus, por isso tenho dado a esta carta o título de Carta da Misericórdia.

Pr. Xavier – Igreja Batista Memorial da Tijuca, RJ, 1o. de fevereiro de 2008. [Rasgar a folha de serviços prestados é uma lição que não esqueceremos. ias]
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